Segunda-feira, Setembro 26, 2005

Se Visto Preto...

You take away.
I feel the same
All these promises
You promised only pain
If you take away
And leave me with nothing again
- Staind - “Mudshovel

Um pequeno aviso: Os próximos 4 posts tratam do mesmo assunto. Por Favor, leia-os em sequência!

Em 1938, meu avô morava em Aracaju, Sergipe, e chegava àquela idade fantástica para todo garoto: 13 anos.
Sendo um brasileiro e, por definição, fanático por futebol, ele jogava e se metia em tudo que era relacionado ao esporte. E tanto que, aproveitando que seu pai estava em boa situação financeira, conseguiu que ele bancasse um jogo amistoso entre uma seleção, armada por ele, composta pelos melhores jogadores da cidade de Aracaju e o principal time de Lagarto.
Ônibus fretado, malas prontas, lá se foram uns vinte e poucos jogadores querendo mostrar serviço e um garoto empreendedor rumo a um jogo cheio de esperanças.
O jogo era um amistoso, sendo um time completamente composto de amadores, e era antes da Segunda Guerra. Nenhum árbitro foi designado.
Foi incumbido da responsabilidade um comerciante local conhecido como Nono.
A seleção de Aracaju marcou 11 gols. Isso mesmo. Onze gols! O juiz Nono invalidou todos. Meu bisavô se desesperava, pulava e xingava o juiz como se ele fosse o demônio encarnado. Meu avô estava chocado demais para reagir com tal veemência.
E quando soou o apito final, encerrando o segundo tempo, qual não deve ter sido a surpresa de ambos ao ver o juiz Nono por a bola debaixo do braço e se encaminhar até a área dos visitantes e, com grande desenvoltura, dizer ao goleiro: “Olha, eu quase esqueci de marcar um pênalti para a equipe da casa!”.
“Pênalti? Que Pênalti?”, devem ter se perguntado todos os presentes (porque eu sei que essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça).
Aparentemente, o dito pênalti havia ocorrido aos vinte minutos do PRIMEIRO TEMPO, e o juizão havia esquecido de assinalá-lo. Mas ali estava, se redimindo.
O time da casa venceu por um a zero.

Assim era o futebol brasileiro na época, fora dos grandes pólos como São Paulo e Rio de Janeiro. Não era bom nem ruim, longe de mim julgar as tradições e a história sem a qual nada do que vemos hoje seria possível. Mas era amador. E esse amadorismo não dava lugar à certeza de resultados justos.
Mas esse tempo passou. Hoje em dia nem sonhamos com algo como isto. Quer dizer, os árbitros são bem pagos, os times são bem administrados, os campeonatos são gerenciados por entidades de destaque e nível internacional como a F.P.F., a CBF e a FIFA, certo?
...
CERTO?

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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7:01 PM  
Blogger Olavo Abilio said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

6:12 AM  
Blogger Olavo Abilio said...

Carlos, houve uma inversão aí.
O Jogo foi em Lagarto e o time de Aracaju foi quem teve os 11 gols anulados.
O Juiz era de Lagarto e beneficiou o próprio time, dando um penalti no final do jogo.
O restante está certo e o blog está bom.
Um abraço de seu tio, Olavo.

6:16 AM  

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