Segunda-feira, Setembro 26, 2005

Responsabilidade

O tempo rodou num instante
As voltas do meu coração
Chico Buarque - "Roda Viva"

Agora só cabe a nós questionar. Será este um caso isolado e exclusivamente atribuído a Edílson e Danelon ou há outros envolvidos? Há mais alguém a ser responsabilizado?
Na minha opinião, há sim.
Há aqueles que abafaram ou se omitiram ou ignoraram os fatos apresentados em 2003. Como um falsário pode ser a autoridade máxima e referencia das regras e atitudes em campo? Nem o Senhor Armando Marques, nem o Presidente da CBF Ricardo Teixeira, nem o Presidente da Federação Paulista de Futebol Marco Pólo Del Nero desconfiaram de nada...
Ou pelo menos é isto que eu gostaria de acreditar. Pois tanto a falta de atenção, o descaso e a conivência são possibilidades muito mais desastrosas.
O mesmo vale para o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva Luiz Zveiter. Ontem ele apareceu na televisão se mostrando verdadeiramente ultrajado com os acontecimentos. Prometendo cabeças em pratos de prata, punições exemplares e comportamento estabilizante para lutar contra “aqueles que querem se aproveitar do caos” para “virar a mesa” (ganhar pontos no famoso “tapetão”). Parece ele se esquecer que é o tribunal dele que revê as partidas e está incumbido de detectar malfeitores como este Edílson. Esquece-se também que julgou todos os cartões apresentados pelo árbitro, todas as súmulas adulteradas, e nenhuma vez julgou contra o juiz e sempre contra os jogadores punidos sem critério, erradamente e maliciosamente.
Numa nota de âmbito pessoal, destinada ao Presidente Zveiter: Todo mundo já sabe que você é um pau-mandado do Ricardo Teixeira então, dê o seu recado e guarde a atuação para o teatro.
Papel feio também fez o Presidente Del Nero, que demonstrou uma soberba e se comportou pedantemente tanto na sua aparição na Rede TV quanto no programa Mesa Redonda da Rede Gazeta. Agora não é o momento para reações aristocráticas, mas sim para humildade. Esses homens enganaram a todos nós!

E é pensando nisso que eu acordo há dois dias. Eu sento na beirada da minha cama pensando o quanto nós, como povo sofredor, fomos enganados mais uma vez. Fomos roubados mais uma vez. Fomos decepcionados mais uma vez. Então de quem é a culpa, realmente?
A culpa é do amadorismo persistente em tudo que fazemos. A falta de compromisso com o serviço bem feito. A despreocupação daqueles que querem no ludibriar, que sabem que não serão pegos e, se forem, não verão as conseqüências.
Passaram-se quase 70 anos desde que meu avô levou um time de aspirantes para um jogo que já havia sido definido antes de começar. Mas poderia ter sido ontem. Pode ser que meu avô tenha amadurecido e as instituições brasileiras, não. Pode ser que o poder, em todas as suas formas, transforme todos os homens em Nonos ou em garotos de 13 anos, que não sabem onde por as mãos, que não vêem a conseqüência de seus atos.
Mas, claramente, a esses garotos de 13 anos, falta inocência. E um certo senso de caráter que vem da formação. Mas que ainda podem ser concertados, com um remédio que existia na época do meu avô e que se vê pouco hoje em dia: disciplina pura, dura e simples.