Pagando um Pau - A Nova Novela das 8
"Procurando o que
Parece ser o melhor pra você
Protejá-se do que você
Do que você vai querer"
- Nação Zumbi - Propaganda
Eu tenho que me pronunciar sobre um certo assunto que tenho ouvido muito. Hoje resolvi tirar minhas dúvidas em primeira mão.
Assisti à novela global “América”. (‘Amé-é-é-di-ca! ’ Há! Se você nunca viu “That 70s Show” você nunca vai entender essa piada. Esclarecê-la-ei a pedidos algum dia).
Bem, vamos ao que interessa. A maldita novela.
Ela parte de uma premissa horrível, logo de cara. De um lado você tem um batalhão de cariocas estereotipados, dos humildes honrados aos riquinhos boçais e todos os espectros do arco-íris no meio. Do outro você tem os ‘peões’, vaqueiros e caipiras de todas as índoles, também trajando seus mais manjados formatos.
O que esse povo todo tem em comum?
São ‘paga pau’ dos Estados Unidos da América. Em termos mais politicamente corretos, são todos praticantes do abandono da cultura nacional em favor da cultura americana, apátridas, antinacionalistas, antipatrióticos. São cavalariços do autocoroado rei do mundo.
Sabe que até os americanos tem um termo próprio para isso?
Eles chamam gente dessa índole de Brown-nosers. Quer dizer, aqueles que tem o nariz marrom. Parte-se da idéia que a pessoa quer puxar tanto o saco da outra, que nem com cheirar o traseiro, as flatulências e excrementos essa pessoa se importa. Aí acaba com o nariz marrom.
Quer um exemplo menos chocante, dentro da própria novela?
Os vaqueiros e a comunidade onde vivem são loucos por rodeios. Não vou nem entrar nos méritos de dita atividade, mas EU PENSO ser uma barbárie e uma diversão mesquinha e medieval. Mas fodá-se o que eu penso. Eu gosto de ver 22 caras correndo atrás de uma bola. Eu não sei de nada.
Mas quando não estão montando ou vendo alguém montar no touro, eles passeiam tranqüilamente em roupas estilo country e ouvem música caipira americana. Isso já é o refugo, o fim, o caldo que acumula no fundo da lata de lixo da cultura americana.
Sabe quem ouve essas coisas nos Estados Unidos?
É um pessoal “bacana” que acha que o Brasil fica perto da Nigéria. Os cultos que moram a milhas de uma outra alma viva que ainda acham que certos livros e músicas são coisa do capeta. Os caras que só querem juntar uns trocados para consertar o trator para tirar a casa-móvel do lamaçal e encostá-la numa sombrinha. Uma comunidade unida que gosta de cavalgar a noite, vestidos todos de branco, procurando por um negro que possam linchar, uma igreja não ariana que possam queimar ou alguma minoria que possam aterrorizar.
Isso não é algo a ser copiado, exportado, ou venerado de forma alguma.
Mas eles acham bonito. Aposto que poucos podem traduzir a letra da música que parece tocar em todas as festas da novela, e eu os pouparei do verdadeiro mar de asneiras ali contido. Mas traduzirei o título, que também é o refrão. Em português claro, a tradução é “salve um cavalo, monte num peão”.
Outro dia a própria Globo passou em legenda a tradução de outra música que se tornou à trilha sonora oficial das cenas filmadas em Miami. É uma música de uma banda chamada América, com o título “A Horse With No Name”, ou “Um Cavalo Sem Nome”. Essa música é famosa também nos Estados Unidos, pois a banda confessou que as letras foram escritas durante e são sobre o consumo de heroína.
E lá estão os atores dançando como tolos, vestindo roupas que, até pelo padrão americano, são horríveis e desprovidas de qualquer classe, representando o povo trabalhador do interior do Brasil. Não sei nem onde enfiar a minha cara.
Sinto-me de certa forma conivente. Explicarei mais adiante.
Pois há o outro lado, o resto do elenco. Os ricos que querem sair do Brasil e ir aos Estados Unidos em busca de mais segurança e mais dinheiro. Se forem, já vão tarde. Eles se preocupam com o crime, mas são eles os cleptomaníacos, os fúteis, os desonestos, os adúlteros. Adeus. Isso mina a boa reputação de milhares de Brasileiros que tiveram as condições financeiras de se mudar e buscar uma vida que eles julgaram melhor, sem ter que invadir um país na calda da noite como um refugiado. Pessoas que estão no exterior a serviço, batalhando por suas famílias. Mas nas lentes televisivas são reduzidos a peruas esquivas, adultos mimados, pilantras, criminosos do colarinho branco, cafajestes.
Não estou dizendo que são todos santos na vida real, longe disso. Eu deixei essas idéias para trás junto com a mamadeira e as fraudas. Toda generalização é burra.
Mas me dói que o que serve melhor à trama sejam exemplos dos mais deploráveis espécimes de seres humanos.
E, claro, encabeçando essa turma, está o personagem de Débora Seco, a louca e desvairada Sol. Sinto muito, mas esta personagem é um insulto aos deficientes mentais no mundo todo.
A menina leva uma vida desprovida de luxos e árdua no Brasil, mas tem o que comer, um teto, o calor de uma família, até encontrou um trouxa que quer casar com ela. Então, como solução a todos os seus problemas (problemas estes que eu não enxergo, sinto muito) ela resolve encarar todo o tipo de provação para entrar e viver ilegalmente nos Estados Unidos.
Ela trabalha três empregos (isso mesmo, 3) para mandar dólares para ajudar em casa. Ela trabalha de faxineira, garçonete e de meretriz, digo, dançarina numa boate.
Aceitem ou não minhas palavras, há conhecimento empírico por trás delas. Nenhum desses empregos seria viável para ela, que não fala nada de inglês.
Como faxineira ela não tem que falar é verdade. Só tem que limpar. Mas tem que receber ordens, interagir com outros funcionários. E ela trabalha num lugar aparentemente legal, um prédio grande. Quem acha que um lugar destes correria o risco de levar multas altíssimas, talvez até ser interditado, romper contratos de locação e ainda agüentar pressões das associações e sindicais locais por contratar imigrantes ilegais, está muito enganado.
Como garçonete então nem se fala. Ela não entende a língua. Não saberia responder qual é o prato do dia ou o que vem na salada de camarão. Não entenderia os pedidos e traria tudo errado. Seria mandada embora na mesma hora. E não sei se alguém notou que ela trabalha no Friday’s. O restaurante Friday’s não contrata imigrantes ilegais e EU É QUE SEI. Nem com experiência em cozinha.
E o emprego na boate é outra mentira deslavada. Quem já foi num desses lugares sabe que as moças ali fazem mais do que dançar. Elas são garçonetes, trabalham atrás do bar. Tem que saber preparar drinques e, para prepará-los, tem que entender o que o cliente está pedindo. No episódio de hoje que eu assisti, a doce moça não sabia o que é um whisky on the rocks. Pelo amor de Deus, é um whisky com gelo!
Fora que as moças que trabalham em estabelecimentos como este também são pagas para conversar com os clientes, serem amigáveis, charmosas. Ser charmosa em silêncio é fácil, até que alguém fale com você. E os americanos são todos iguais nesse sentido. Se eles falarem com você e você não souber responder, primeiro vão assumir que você é surdo e vão começar a gritar. Logo em seguida, vão assumir que você é um imbecil, o que é pior. Ela duraria três horas, no máximo.
E agora que dei meus motivos para odiar este atentado a dramaturgia moderna, explicarei porque me sinto conivente, e com o que o sou.
Sinto-me desta forma, pois eu fui protagonista involuntário de uma história semelhante. Mais um tonto que partiu de sua terra e achou que acharia águas mais calmas em outros portos. E fez com que outros, mesmo que brevemente, acreditassem que este sonho fosse mais do que fumaça e reflexos sem substancia.
As chances são as mesmas para a felicidade, não importa onde você está. Porque o fator determinante da sua felicidade é VOCÊ. E não importa aonde você vá, lá estarás.
Custaria ao canal aberto líder de audiência fazer uma novela que inspirasse o povo a um ideal cultural, educacional, artístico, não só mais um esquema maluco para enriquecer depressa?
Porque essa história de pegar três empregos é conversa pra boi dormir. Minto, é possível. Mas não os três empregos mostrados na novela. Explicarei. Faxineiro num prédio comercial trabalha um turno de pelo menos seis horas. Uma garçonete em qualquer lugar trabalha um turno de pelo menos seis horas. Se o bar permite que ela entre no meio do expediente (lá pelas nove da noite) com certeza ela ficaria até o bar fechar as duas, mais o tempo de fechar o estabelecimento, o que chega a levar mais de uma hora. 18 horas de trabalho fora o tempo de locomoção e o transporte público de Miami não chega aos pés do transporte público de São Paulo no quesito abrangência. Ou seja, fora o tempo que ela passaria no ônibus, teria mais uma boa caminhada entre um lugar e outro. E tempo para dormir, não existe em novela.
Também vamos esquecer convenientemente que ela não teria ônibus para chegar em casa à noite, porque o ônibus para de circular a meia-noite. E que Miami tem um dos maiores índices de criminalidade dos Estados Unidos.
E que ela entrou no país pelo Texas, na fronteira com o México, que só não é militarizada no nome. Eles atiram em dezenas de pessoas todos os dias na fronteira. Homens, mulheres e crianças. Para matar. É fácil de entrar viu.
A revolta é grande demais para as palavras.
Basta.
Parece ser o melhor pra você
Protejá-se do que você
Do que você vai querer"
- Nação Zumbi - Propaganda
Eu tenho que me pronunciar sobre um certo assunto que tenho ouvido muito. Hoje resolvi tirar minhas dúvidas em primeira mão.
Assisti à novela global “América”. (‘Amé-é-é-di-ca! ’ Há! Se você nunca viu “That 70s Show” você nunca vai entender essa piada. Esclarecê-la-ei a pedidos algum dia).
Bem, vamos ao que interessa. A maldita novela.
Ela parte de uma premissa horrível, logo de cara. De um lado você tem um batalhão de cariocas estereotipados, dos humildes honrados aos riquinhos boçais e todos os espectros do arco-íris no meio. Do outro você tem os ‘peões’, vaqueiros e caipiras de todas as índoles, também trajando seus mais manjados formatos.
O que esse povo todo tem em comum?
São ‘paga pau’ dos Estados Unidos da América. Em termos mais politicamente corretos, são todos praticantes do abandono da cultura nacional em favor da cultura americana, apátridas, antinacionalistas, antipatrióticos. São cavalariços do autocoroado rei do mundo.
Sabe que até os americanos tem um termo próprio para isso?
Eles chamam gente dessa índole de Brown-nosers. Quer dizer, aqueles que tem o nariz marrom. Parte-se da idéia que a pessoa quer puxar tanto o saco da outra, que nem com cheirar o traseiro, as flatulências e excrementos essa pessoa se importa. Aí acaba com o nariz marrom.
Quer um exemplo menos chocante, dentro da própria novela?
Os vaqueiros e a comunidade onde vivem são loucos por rodeios. Não vou nem entrar nos méritos de dita atividade, mas EU PENSO ser uma barbárie e uma diversão mesquinha e medieval. Mas fodá-se o que eu penso. Eu gosto de ver 22 caras correndo atrás de uma bola. Eu não sei de nada.
Mas quando não estão montando ou vendo alguém montar no touro, eles passeiam tranqüilamente em roupas estilo country e ouvem música caipira americana. Isso já é o refugo, o fim, o caldo que acumula no fundo da lata de lixo da cultura americana.
Sabe quem ouve essas coisas nos Estados Unidos?
É um pessoal “bacana” que acha que o Brasil fica perto da Nigéria. Os cultos que moram a milhas de uma outra alma viva que ainda acham que certos livros e músicas são coisa do capeta. Os caras que só querem juntar uns trocados para consertar o trator para tirar a casa-móvel do lamaçal e encostá-la numa sombrinha. Uma comunidade unida que gosta de cavalgar a noite, vestidos todos de branco, procurando por um negro que possam linchar, uma igreja não ariana que possam queimar ou alguma minoria que possam aterrorizar.
Isso não é algo a ser copiado, exportado, ou venerado de forma alguma.
Mas eles acham bonito. Aposto que poucos podem traduzir a letra da música que parece tocar em todas as festas da novela, e eu os pouparei do verdadeiro mar de asneiras ali contido. Mas traduzirei o título, que também é o refrão. Em português claro, a tradução é “salve um cavalo, monte num peão”.
Outro dia a própria Globo passou em legenda a tradução de outra música que se tornou à trilha sonora oficial das cenas filmadas em Miami. É uma música de uma banda chamada América, com o título “A Horse With No Name”, ou “Um Cavalo Sem Nome”. Essa música é famosa também nos Estados Unidos, pois a banda confessou que as letras foram escritas durante e são sobre o consumo de heroína.
E lá estão os atores dançando como tolos, vestindo roupas que, até pelo padrão americano, são horríveis e desprovidas de qualquer classe, representando o povo trabalhador do interior do Brasil. Não sei nem onde enfiar a minha cara.
Sinto-me de certa forma conivente. Explicarei mais adiante.
Pois há o outro lado, o resto do elenco. Os ricos que querem sair do Brasil e ir aos Estados Unidos em busca de mais segurança e mais dinheiro. Se forem, já vão tarde. Eles se preocupam com o crime, mas são eles os cleptomaníacos, os fúteis, os desonestos, os adúlteros. Adeus. Isso mina a boa reputação de milhares de Brasileiros que tiveram as condições financeiras de se mudar e buscar uma vida que eles julgaram melhor, sem ter que invadir um país na calda da noite como um refugiado. Pessoas que estão no exterior a serviço, batalhando por suas famílias. Mas nas lentes televisivas são reduzidos a peruas esquivas, adultos mimados, pilantras, criminosos do colarinho branco, cafajestes.
Não estou dizendo que são todos santos na vida real, longe disso. Eu deixei essas idéias para trás junto com a mamadeira e as fraudas. Toda generalização é burra.
Mas me dói que o que serve melhor à trama sejam exemplos dos mais deploráveis espécimes de seres humanos.
E, claro, encabeçando essa turma, está o personagem de Débora Seco, a louca e desvairada Sol. Sinto muito, mas esta personagem é um insulto aos deficientes mentais no mundo todo.
A menina leva uma vida desprovida de luxos e árdua no Brasil, mas tem o que comer, um teto, o calor de uma família, até encontrou um trouxa que quer casar com ela. Então, como solução a todos os seus problemas (problemas estes que eu não enxergo, sinto muito) ela resolve encarar todo o tipo de provação para entrar e viver ilegalmente nos Estados Unidos.
Ela trabalha três empregos (isso mesmo, 3) para mandar dólares para ajudar em casa. Ela trabalha de faxineira, garçonete e de meretriz, digo, dançarina numa boate.
Aceitem ou não minhas palavras, há conhecimento empírico por trás delas. Nenhum desses empregos seria viável para ela, que não fala nada de inglês.
Como faxineira ela não tem que falar é verdade. Só tem que limpar. Mas tem que receber ordens, interagir com outros funcionários. E ela trabalha num lugar aparentemente legal, um prédio grande. Quem acha que um lugar destes correria o risco de levar multas altíssimas, talvez até ser interditado, romper contratos de locação e ainda agüentar pressões das associações e sindicais locais por contratar imigrantes ilegais, está muito enganado.
Como garçonete então nem se fala. Ela não entende a língua. Não saberia responder qual é o prato do dia ou o que vem na salada de camarão. Não entenderia os pedidos e traria tudo errado. Seria mandada embora na mesma hora. E não sei se alguém notou que ela trabalha no Friday’s. O restaurante Friday’s não contrata imigrantes ilegais e EU É QUE SEI. Nem com experiência em cozinha.
E o emprego na boate é outra mentira deslavada. Quem já foi num desses lugares sabe que as moças ali fazem mais do que dançar. Elas são garçonetes, trabalham atrás do bar. Tem que saber preparar drinques e, para prepará-los, tem que entender o que o cliente está pedindo. No episódio de hoje que eu assisti, a doce moça não sabia o que é um whisky on the rocks. Pelo amor de Deus, é um whisky com gelo!
Fora que as moças que trabalham em estabelecimentos como este também são pagas para conversar com os clientes, serem amigáveis, charmosas. Ser charmosa em silêncio é fácil, até que alguém fale com você. E os americanos são todos iguais nesse sentido. Se eles falarem com você e você não souber responder, primeiro vão assumir que você é surdo e vão começar a gritar. Logo em seguida, vão assumir que você é um imbecil, o que é pior. Ela duraria três horas, no máximo.
E agora que dei meus motivos para odiar este atentado a dramaturgia moderna, explicarei porque me sinto conivente, e com o que o sou.
Sinto-me desta forma, pois eu fui protagonista involuntário de uma história semelhante. Mais um tonto que partiu de sua terra e achou que acharia águas mais calmas em outros portos. E fez com que outros, mesmo que brevemente, acreditassem que este sonho fosse mais do que fumaça e reflexos sem substancia.
As chances são as mesmas para a felicidade, não importa onde você está. Porque o fator determinante da sua felicidade é VOCÊ. E não importa aonde você vá, lá estarás.
Custaria ao canal aberto líder de audiência fazer uma novela que inspirasse o povo a um ideal cultural, educacional, artístico, não só mais um esquema maluco para enriquecer depressa?
Porque essa história de pegar três empregos é conversa pra boi dormir. Minto, é possível. Mas não os três empregos mostrados na novela. Explicarei. Faxineiro num prédio comercial trabalha um turno de pelo menos seis horas. Uma garçonete em qualquer lugar trabalha um turno de pelo menos seis horas. Se o bar permite que ela entre no meio do expediente (lá pelas nove da noite) com certeza ela ficaria até o bar fechar as duas, mais o tempo de fechar o estabelecimento, o que chega a levar mais de uma hora. 18 horas de trabalho fora o tempo de locomoção e o transporte público de Miami não chega aos pés do transporte público de São Paulo no quesito abrangência. Ou seja, fora o tempo que ela passaria no ônibus, teria mais uma boa caminhada entre um lugar e outro. E tempo para dormir, não existe em novela.
Também vamos esquecer convenientemente que ela não teria ônibus para chegar em casa à noite, porque o ônibus para de circular a meia-noite. E que Miami tem um dos maiores índices de criminalidade dos Estados Unidos.
E que ela entrou no país pelo Texas, na fronteira com o México, que só não é militarizada no nome. Eles atiram em dezenas de pessoas todos os dias na fronteira. Homens, mulheres e crianças. Para matar. É fácil de entrar viu.
A revolta é grande demais para as palavras.
Basta.


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