Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Retorno 2006

"É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
Adimitindo"
Maria Rita (O Rappa) - Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)

Feliz Natal e Próspero Ano Novo, primeiramente.
Eu quero começar o ano aqui no meu blog com alguma coisa bem leve. Primeiro uma nota de despedida.
Adeus Franca do Imperador. Nós nos divertimos pra caramba por lá e não esqueceremos. O retorno é incerto, mas as lembranças não são.
Eu esperei oito anos por algumas coisas que eu finalmente fiz ano passado/este ano. Os almoços de Natal (AMBOS) com os parentes foram inesquecíveis. Passei um tempinho com meu avô na praia de Santos. Bebi e celebrei com os meus amigos, cuja alcunha “fiéis” simplesmente não descreve com justiça.
Enfim, eu estou mais do que feliz. Espero que todos também estejam.

Domingo, Outubro 23, 2005

Eu Voto Sim. Você Faz Como Quiser. Mas o Brasil Vêm Primeiro.

"Ele queria era falar com o presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz
Sofrer!"
- Legião Urbana - Faroeste Caboclo


Nesta véspera de plebiscito eu parei para pensar nesse nosso país. E também me fez pensar em coisas que todo mundo diz do Brasil sem muita reflexão, mas que merece uma segunda olhada.
Quero começar com a paixão, a tara secreta que o brasileiro tem com uma figura icônica da nossa cultura, que explica muitas coisas.

Explica nosso amor pelo drible, no futebol. Com um pouco de força, explica até nossa situação sócio e político - econômica. Explica nossa obsessão com levar vantagem.
Este mito, este grande herói nacional é o malandro.

Malandro é aquele cara que não vive muito pelas regras. Não tem grandes pudores em ficar devendo, em ludibriar, em atravessar linhas morais que outros veriam como intransponíveis. Mas que tem uma família para cuidar, casa para sustentar e um conjunto de princípios ferrenhos, um caráter que brilha apesar da adversidade. Enfim, um coração de ouro.
O jogo de cintura, a lábia, a capacidade de atingir um acordo, de viver à margem da lei com um sorriso no rosto. O Brasileiro faz estas coisas desde o descobrimento. Não porque é o que achamos certo. Não porque achamos isto bom. Mas é o jeito que há. Porque se você não está jogando, está jogado. Temos que armar, burlar, pensar num jeitinho de fazer a vida correr até a grana chegar.

Não é a política que dá o mau exemplo, nem é a cultura que cria o mau político, o mal policial, o mau juiz de futebol.
São todos sintomas e nenhum é a doença. A doença é o individualismo. Cada um quer o seu e o outro que se explode. Não existe uma consciência cívica. O que existe é a consciência de que as coisas vão mal e que cada um tem que garantir o seu.Ninguém vê o bem social.

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Só nesta pequena frase, histórica e provinda dos lábios de nosso primeiro imperador, agora que somos menos inocentes sobre o parto laborioso que o foi o nosso processo de independência, vemos algo muito familiar. Uma arrogância principesca, um desdém mascarado de preocupação, uma soberba jocosa, um cinismo irônico. Algo que todos tentamos imitar ao falar de nossa nação.
Isto pinga das línguas de políticos nas épocas de eleição. É algo tão palpável nas entrevistas coletivas da seleção brasileira de futebol que muito me espanta que eles não precisem de um babador, para aparar o desprezo que brota como cachoeiras gêmeas dos cantos das bocas de todos.

Somos todos culpados deste mesmo crime. No Brasil, todo patriotismo soa vago, dissimulado, forçado para nossos próprios ouvidos. É tanta coisa que temos de engolir diariamente que toda vez que eu ouço qualquer frase como “O Brasil é assim mesmo”, ou “o nosso país não tem jeito” eu penso num arroto. Essas frases se tornaram realidade. É um mantra. Algo que repetimos com uma crença que beira a blasfêmia. E é mentira. Uma mentira contada em cada casa, casebre, barraco, apartamento e mansão neste país. Nós falamos tais coisas como se estivéssemos acima de tudo e vítimas de tudo. Não fazemos nada de errado, são só os outros. Não são as ações de alguns que nos envergonham, nem a falta de ação da maioria. É o simples fato de este ser o nosso país. Não fazemos parte desta nação. Esta nação está cheia de problemas, mas nós estamos bem. Só somos culpados por associação...

E é uma mentira entorpecente. Ela coíbe a ação e a reação. O Brasil é maravilhoso e as pessoas que aqui habitam são das melhores que esse mundo tem a oferecer.
Ouvi pessoas falarem que ninguém têm a envergadura moral para falar nada neste país. Muito enganados estão aqueles que se acomodam com frases feitas. O que não há são pessoas com envergadura testicular suficiente para bater na mesa e dizer “sabe o que mais? Eu não sou perfeito e já fiz coisas na minha vida da qual eu me arrependo ou deveria me arrepender, mas não me arrependo. No entanto, já basta”.

Basta de corrupção. Basta de dissimulação. Basta deste complexo de inferioridade a nível nacional.

Estou aqui anunciando, com estas palavras, o começo de um novo projeto para mim. Um novo livro. Pode demorar o resto da minha vida para escrevê-lo, mas ele virá. No momento eu estou chamando o livro de “Uma história lá de casa”. Vamos ver se vinga.

Mas isto não é uma propaganda. É um apelo.
Eu sei as implicações práticas da decisão a ser tomada neste plebiscito de 23 de outubro de 2005. Eu sei que se pode dizer que proteger a sua família é uma decisão moral e que o desarmamento só vale para gente honesta e não para os bandidos. E até quem é bandido assumido, eu considero justo que eles queiram proteger-se da policia. Alias, sei também que as armas dos bandidos vêm, em sua maioria da policia. Caralho, se for por justificativas, Hitler tinha muitas e milhões de alemães concordaram. Mas o desarmamento é a decisão moral. É um passo pequeno sem a infra-estrutura necessária para que a lei seja cumprida. Mas ainda é a melhor decisão.
Vote sim, pelo desarmamento.
Nós ainda somos seres humanos. Mesmo o ladrão. O safado. O assassino. Desde quando nós vivemos pelo matar ou morrer? Desde sempre?...


Atenção, esta notícia acaba de chegar à redação: Nós sempre vivemos pelo matar ou morrer. Desconsiderem o editorial acima. Boa noite.

Segunda-feira, Setembro 26, 2005

Se Visto Preto...

You take away.
I feel the same
All these promises
You promised only pain
If you take away
And leave me with nothing again
- Staind - “Mudshovel

Um pequeno aviso: Os próximos 4 posts tratam do mesmo assunto. Por Favor, leia-os em sequência!

Em 1938, meu avô morava em Aracaju, Sergipe, e chegava àquela idade fantástica para todo garoto: 13 anos.
Sendo um brasileiro e, por definição, fanático por futebol, ele jogava e se metia em tudo que era relacionado ao esporte. E tanto que, aproveitando que seu pai estava em boa situação financeira, conseguiu que ele bancasse um jogo amistoso entre uma seleção, armada por ele, composta pelos melhores jogadores da cidade de Aracaju e o principal time de Lagarto.
Ônibus fretado, malas prontas, lá se foram uns vinte e poucos jogadores querendo mostrar serviço e um garoto empreendedor rumo a um jogo cheio de esperanças.
O jogo era um amistoso, sendo um time completamente composto de amadores, e era antes da Segunda Guerra. Nenhum árbitro foi designado.
Foi incumbido da responsabilidade um comerciante local conhecido como Nono.
A seleção de Aracaju marcou 11 gols. Isso mesmo. Onze gols! O juiz Nono invalidou todos. Meu bisavô se desesperava, pulava e xingava o juiz como se ele fosse o demônio encarnado. Meu avô estava chocado demais para reagir com tal veemência.
E quando soou o apito final, encerrando o segundo tempo, qual não deve ter sido a surpresa de ambos ao ver o juiz Nono por a bola debaixo do braço e se encaminhar até a área dos visitantes e, com grande desenvoltura, dizer ao goleiro: “Olha, eu quase esqueci de marcar um pênalti para a equipe da casa!”.
“Pênalti? Que Pênalti?”, devem ter se perguntado todos os presentes (porque eu sei que essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça).
Aparentemente, o dito pênalti havia ocorrido aos vinte minutos do PRIMEIRO TEMPO, e o juizão havia esquecido de assinalá-lo. Mas ali estava, se redimindo.
O time da casa venceu por um a zero.

Assim era o futebol brasileiro na época, fora dos grandes pólos como São Paulo e Rio de Janeiro. Não era bom nem ruim, longe de mim julgar as tradições e a história sem a qual nada do que vemos hoje seria possível. Mas era amador. E esse amadorismo não dava lugar à certeza de resultados justos.
Mas esse tempo passou. Hoje em dia nem sonhamos com algo como isto. Quer dizer, os árbitros são bem pagos, os times são bem administrados, os campeonatos são gerenciados por entidades de destaque e nível internacional como a F.P.F., a CBF e a FIFA, certo?
...
CERTO?

A Manhã

7am
The garbage-shute beeps as it backs up
And I start my day thinking about
What I've thrown away
-Incubus -"11am"

Sábado, dia 24 de Setembro de 2005. Uma manhã como qualquer outra.
Eu levantei um pouco preocupado, mas não era nada de mais. Eu só tinha que resolver 15 problemas de matemática, almoçar e pensar numa maneira de esticar meu dinheiro até o fim do mês antes do jogo do São Paulo começar. E, a bem da verdade, eu gostaria de jogar pelo menos meia hora de vídeo games. Tudo isso foi feito até as 14hs30, e eu só tinha que decidir se eu ia almoçar em casa ou se ia comer na padaria da esquina. Decidi pela padaria. Sábado, sabe como é, feijoada completa.
Eu ia a direção ao caixa quando vi um amigo que vinha assistir ao jogo comigo sentado no balcão, tomando uma Coca Light e comendo uma coxinha.
Foi ele que me deu a notícia. Aliás, todas as notícias ruins são dadas da mesma maneira. Elas sempre começam com “E aí, você viu...?”.
Não, eu não havia visto. Mas, ao lado do caixa, lá estava a revista Veja. A capa escura com o ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, de camisa azul com o emblema oficial que afirma que ele é um autentico “FIFA Referee”. E, abaixo, em letras brancas garrafais, a frase que virou condenação: “A Máfia do Apito”.
Sábado, dia 24 de Setembro de 2005. Um dia que viverá na infâmia.

O Esquema

I heard about your trip
I heard about your souvenirs
I heard about the cool breeze
And cool nights, and the cool guys
That you spent them with
- Dashboard Confessionals - "The Best Deception"

Os fatos já foram muito noticiados, mas vale a pena relembrá-los, organizadamente, para entendê-los.
Segundo o que apurou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) e a Policia Federal, em algum momento entre o começo de Outubro e o fim de Novembro do ano passado (2004), o árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi procurado por um homem (ainda não identificado) representando um grupo de empresários e donos de casas de bingo. Aparentemente ele havia sido indicado a esse grupo por um outro arbitro, o Paulo José Danelon, ligado a F.P.F. e que apitou o campeonato paulista e a série B do Brasileirão. A proposta era a seguinte: o arbitro seria remunerado se ele pudesse, discretamente, influenciar o resultado de jogos do Campeonato Brasileiro, Libertadores da América, Paulista e Sul-Americano. O grupo apostaria em web-sites clandestinos e o arbitro garantiria o resultado.

O contato de Edílson com o grupo era o empresário Nagib Fayad, o Gibão, de Piracicaba, no interior paulista, dono de casas de bingo. O esquema, aparentemente encabeçado por ele, não era ousado. As apostas eram feitas quase sempre no favorito e tudo que o juiz tinha que fazer era ter certeza de que o favoritismo se confirmasse.

Tudo vinha correndo bem para o arbitro e seus comparsas (ou era o inverso, talvez). O nível técnico dos árbitros parecia generalizadamente comprometido, então o erro eventual camuflado por singelos atos de contrição ou pelo excesso de confiança passava desapercebido. Enquanto isso, diversos times alardeavam as injustiças. No primeiro semestre deste ano, o técnico Emerson Leão, ainda no São Paulo, se destacou por verbalizar sem grandes rodeios suas duvidas sobre o caráter de certas arbitragens. Foi rotulado de “chorão” pela imprensa esportiva que, não de todo errada, preferia acreditar que assim o fosse a lançar dúvidas sem provas.
Edílson apitou 12 jogos no campeonato Paulista e, destes, apenas dois parecem ser reconhecidos oficialmente como manipulações. Esses jogos foram América 4 X Palmeiras 1 e Guarani 0 X Corinthians 2. Mas como saber? Na época, nenhum órgão da imprensa esportiva ou da justiça desportiva levantou qualquer suspeita sobre o desempenho do árbitro. A grana entrava às centenas de milhares de reais para o grupo criminoso e Edílson recebia sua parte religiosamente. Sempre em quantias girando entre dez mil e 15 mil reais. Somando isso aos 2200 reais por jogo, recebidos da Federação Paulista. Tudo ia muito bem, de fato.

Mas o que ignoravam os envolvidos é que, em algum momento em Fevereiro deste ano, os promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Roberto Porto (segundo o próprio Carneiro) foram procurados pelo jornalista André Rizek e Thaís Oyama da revista Veja. Eles estavam denunciando o esquema. Em Agosto começavam as escutas telefônicas e a coleção de provas.

Mais do que isso; foi o excesso de confiança que condenou finalmente o esquema à derrocada. Afinal, conversas telefônicas feitas do vestiário antes, durante e depois do jogo não são exatamente o procedimento padrão de quem tem medo de ser pego. Na verdade, o número de ligações foi a grande prova de amadorismo do esquema. Elas eram feitas logo após do sorteio da arbitragem, na definição do resultado e, depois, tudo era confirmado e reavaliado dezenas de vezes até o momento do jogo. O juiz chegava a ligar para Nagib durante o intervalo para se gabar de quanto estava roubando. Não que fosse uma surpresa, já que o arbitro alegava sem inibições o que faria no jogo (marcar pênaltis, faltas, expulsões, etc...) com bastante antecedência.
Algumas ligações até insinuam que assistentes (bandeiras) tenham sido incluídos no esquema e pagos quantias de até 2000 reais.
Na série A do Brasileirão, Edílson apitou 11 jogos. São Paulo e Ponte Preta (2/7), Paysandu e Cruzeiro (16/7), Juventude e Figueirense (24/7), Santos e Corinthians (31/7), Vasco e Figueirense (7/8), Cruzeiro e Botafogo (10/8), Juventude e Fluminense (14/8), Internacional e Coritiba (21/8), São Paulo e Corinthians (7/9) e Fluminense e Brasiliense (10/9). Desses 11, segundo evidências encontradas pela Policia Federal e confirmadas em depoimento de Edílson, três não tiveram seus resultados afetados. Juventude e Figueirense (ele não conseguiu fazer com que o Juventude ganhasse, apesar de marcar pênalti inexistente), São Paulo e Corinthians (os sites fecharam as apostas por desconfiar do arbitro) e Fluminense e Brasiliense (Fayad não se interessou no jogo, pois achava a vitória do Flu muito obvia e, assim, pouco lucrativa).

Depois que um dos sites recusou uma aposta do grupo no jogo entre Vasco e Figueirense, as coisas parecem ter ficado mais tensas. Nagib parecia repetir sempre uma frase nas gravações de suas conversas com Edílson. Dizia que sua “vida (a de Fayad) que está em jogo”. E talvez tenha sido a pressão e não a intenção que deram o golpe final no esquema de Edílson, Danelon e Fayad. Com os sites de apostas fechados para o jogo entre São Paulo e Corinthians, Edílson entrou para apitar uma partida nervosa, um verdadeiro clássico, entre dois times grandes e arqui-rivais.
No intervalo houve uma comoção no vestiário do time do Parque São Jorge. Sebá, zagueiro do Timão, vai para os vestiários reclamando que foi ofendido pelo arbitro. Depois do jogo, companheiros do time confirmam e o STJD resolve investigar o ocorrido (veja mais no post “São Paulo Dá Duro No Feriado e Vence Timão”).
Logo vem a tona outro caso mal resolvido do arbitro. Aparentemente, em 2003, Edílson apresentou um certificado falsificado de conclusão do segundo grau, necessário para desempenhar a função de arbitro. O caso não deu em nada, nada foi apurado e ninguém foi punido. Edílson já era arbitro da FIFA desde 1999 e da CBF desde 1994.

Na manhã do dia 24 de Setembro a revista Veja (ed. 1924 – ano 38 – número 39 de 28 de Setembro de 2005) chegou às bancas. Ao meio-dia, já estava em todos os canais. Edílson Pereira de Carvalho e Nagib Fayad estavam sob a custódia da Policia, presos, algemados e trancafiados. A imagem da semana foi Edílson, algemado, no banco de trás do camburão, pálido, alegando que tudo foi feito sob coação e ameaças feitas contra sua vida e a vida de sua família.

Mais tarde, ainda naquele dia, a história de Edílson já havia mudado. O ex-árbitro resolveu fazer uso da “delação premiada”, ou seja, resolveu cooperar e entregar seus comparsas em troca da amenização de sua pena.

Responsabilidade

O tempo rodou num instante
As voltas do meu coração
Chico Buarque - "Roda Viva"

Agora só cabe a nós questionar. Será este um caso isolado e exclusivamente atribuído a Edílson e Danelon ou há outros envolvidos? Há mais alguém a ser responsabilizado?
Na minha opinião, há sim.
Há aqueles que abafaram ou se omitiram ou ignoraram os fatos apresentados em 2003. Como um falsário pode ser a autoridade máxima e referencia das regras e atitudes em campo? Nem o Senhor Armando Marques, nem o Presidente da CBF Ricardo Teixeira, nem o Presidente da Federação Paulista de Futebol Marco Pólo Del Nero desconfiaram de nada...
Ou pelo menos é isto que eu gostaria de acreditar. Pois tanto a falta de atenção, o descaso e a conivência são possibilidades muito mais desastrosas.
O mesmo vale para o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva Luiz Zveiter. Ontem ele apareceu na televisão se mostrando verdadeiramente ultrajado com os acontecimentos. Prometendo cabeças em pratos de prata, punições exemplares e comportamento estabilizante para lutar contra “aqueles que querem se aproveitar do caos” para “virar a mesa” (ganhar pontos no famoso “tapetão”). Parece ele se esquecer que é o tribunal dele que revê as partidas e está incumbido de detectar malfeitores como este Edílson. Esquece-se também que julgou todos os cartões apresentados pelo árbitro, todas as súmulas adulteradas, e nenhuma vez julgou contra o juiz e sempre contra os jogadores punidos sem critério, erradamente e maliciosamente.
Numa nota de âmbito pessoal, destinada ao Presidente Zveiter: Todo mundo já sabe que você é um pau-mandado do Ricardo Teixeira então, dê o seu recado e guarde a atuação para o teatro.
Papel feio também fez o Presidente Del Nero, que demonstrou uma soberba e se comportou pedantemente tanto na sua aparição na Rede TV quanto no programa Mesa Redonda da Rede Gazeta. Agora não é o momento para reações aristocráticas, mas sim para humildade. Esses homens enganaram a todos nós!

E é pensando nisso que eu acordo há dois dias. Eu sento na beirada da minha cama pensando o quanto nós, como povo sofredor, fomos enganados mais uma vez. Fomos roubados mais uma vez. Fomos decepcionados mais uma vez. Então de quem é a culpa, realmente?
A culpa é do amadorismo persistente em tudo que fazemos. A falta de compromisso com o serviço bem feito. A despreocupação daqueles que querem no ludibriar, que sabem que não serão pegos e, se forem, não verão as conseqüências.
Passaram-se quase 70 anos desde que meu avô levou um time de aspirantes para um jogo que já havia sido definido antes de começar. Mas poderia ter sido ontem. Pode ser que meu avô tenha amadurecido e as instituições brasileiras, não. Pode ser que o poder, em todas as suas formas, transforme todos os homens em Nonos ou em garotos de 13 anos, que não sabem onde por as mãos, que não vêem a conseqüência de seus atos.
Mas, claramente, a esses garotos de 13 anos, falta inocência. E um certo senso de caráter que vem da formação. Mas que ainda podem ser concertados, com um remédio que existia na época do meu avô e que se vê pouco hoje em dia: disciplina pura, dura e simples.

Domingo, Setembro 25, 2005

O Luto e A Luta

Primeiramente gostaria de proclamar este blog em luto oficial.
Luto pelo futebol Brasileiro que, como todas as áreas administrativas do nosso país, passa por uma crise moral.
Esta semana hei de unir minha voz a de muitos outros meios de comunicação para conclamar um “basta” as impropriedades conduzidas pelas arbitragens, administrações e entidades governamentais neste país.
Mas, primeiramente, Vem o silêncio que precede a reflexão. Que nossas orações por um futuro justo não se percam.

Segundo: quero declarar guerra.
Sim guerra. Melhor que isso: Guerra.
E o inimigo não é um conceito ou uma instituição desprovida de humanidade. Eles têm nomes e siglas e pessoas responsáveis. Que sua inocência seja provada, pois eu preferia estar errado. Pois a lista não é pequena.
Esta guerra é um compromisso pessoal de procurar incansavelmente qualquer impropriedade e falha relativa e pertencente a qualquer um dos seguintes:

Edílson Pereira de Carvalho.
Nagib Fayad.
Luiz Zveiter e o STJD.
CBF e seu presidente, Ricardo Teixeira.
FPF e seu presidente Marco Paulo Del Nero.
Paulo José Danelon.
E todo e qualquer corrupto, ladrão ou canalha que pro ventura ganhe notoriedade publica ou cuja notoriedade eu julgue tardia.

Chega de cegamente aceitar o que me diz a imprensa ou departamentos de relações publicas, que tem memória curtíssima e interesses ocultos e atrelados.
Aguardem e comfiem.

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Tabela Provisórea do Brasileirão 2005

A tabela do campeonato fica assim até o final da rodada hoje à noite:

1- Santos -43
2- Fluminense -42
3- Goiás -41
4- Internacional -40*
5- Corinthians -40
6- Paraná -38
7- Cruzeiro -37
8- Fortaleza -36
9- Juventude -36
10- Palmeiras -35*
11- Botafogo -34
12- Ponte Preta -34
13- Coritiba -32*
14- São Caetano -32
15- Atlético-PR -30
16- Vasco -29
17- São Paulo -28
18- Brasiliense -28
19- Flamengo -25*
20- Atlético-MG -25
21- Figueirense -23
22- Paysandu -17
*times com um jogo a menos.

Os jogos de hoje serão ambos as 20h30 e serão Flamengo x Internacional e Palmeiras x Coritiba. Se Internacional e Palmeiras ganharem seus jogos, o São Paulo dá um sólido adeus à zona de rebaixamento e se aproxima de uma colocação intermediária já na próxima rodada, quando enfrenta o Coritiba fora.

São Paulo Dá Duro No Feriado E Vence Timão

"I supposed to be first on everybody's list"
- Jay-Z - What More Can I Say

"If you act like a bitch, nigga, then you get slapped like bitches"
- Dr. Dre - Bitch Niggaz (feat. Snoop Dog)

São Paulo e Corinthians se encontraram no estádio Cícero Pompeu de Toledo no belíssimo bairro do Morumbi, neste dia em que comemoramos a independência da nação. E num momento em que a nação precisa ser distraída de seus problemas. Da corrupção e desilusão com nosso governo, para aliviar os eufemismos.

Para aqueles que não se recordam, esse foi o jogo de volta depois do jogo do primeiro turno quatro meses atrás, no qual o São Paulo goleou o seu grande rival por 5 a 1. Depois daquele jogo, muita coisa aconteceu. O técnico Daniel Passarela saiu em desgraça do Corinthians e o interino Marcinho Bittencourt assumiu o cargo interinamente. O técnico Paulo Autuori se firmou na liderança do São Paulo e levou o time a ser campeão da Libertadores. No campeonato brasileiro, o Corinthians passou a figurar como amplo favorito e emplacou uma série de vitórias, jogando com um ataque implacável para compensar a terceira pior defesa do campeonato. O São Paulo caiu sem pára-quedas na tabela e passou a conviver com o fantasma do rebaixamento. Mas nas ultimas rodadas, a coisa parece estar se invertendo. Enquanto o São Paulo, mesmo assombrado por lesões e suspensões, vem esboçando uma reação e mostrando que seu flerte com a segundona era realmente só um flerte, o Corinthians está perdendo espaço na ponta. Parece ter estacionado com 40 pontos e está em quarto lugar.

Então como é de se esperar, o jogo foi aguardado com grande antecipação e tensão. Torcedores de ambos os times pareciam não poder agüentar mais a espera (os times não jogavam desde quarta-feira passada). Quem não é São Paulino ou Corinthiano não consegue entender totalmente o que este confronto representa. A atmosfera é hostil e cativante ao mesmo tempo.

Quando os times entraram em campo às 4:00 da tarde, tudo parecia posto em seu devido lugar para um grande show. Uma partida acirrada e disputada a cada fibra de grama. O São Paulo entrou em campo mais desfalcado e improvisado, com Rogério Ceni, Fabão, Renan e Edcarlos na defesa. No meio, Souza, Mineiro, Hernanes, Danilo e Junior. Amoroso e Christian formaram a dupla de ataque. O Corinthians veio com Marcelo no gol, Eduardo, Sebá, Betão e Ronny na defesa, Rosinei, Marcelo Mattos e Roger no meio e Nilmar, Tevez e Jô no ataque. Os técnicos pareciam ter mais em comum do que gostariam. Autuori e Marcinho sofrem ultimamente criticas de suas respectivas torcidas por “inventar demais” e ambos precisavam vencer para provar que merecem os cargos que ocupam. E ambos contam com seus elencos, que tem dado apoio a ambos durante suas fases ruins.

A surpresa foi quase geral quando o Corinthians abriu o marcador aos dois minutos de jogo, numa bobeada da defesa que esperava um impedimento ser assinalado e simplesmente assistiu Nilmar dominar um belo passe e passar por Rogério Ceni com uma bela finalização. Não que o Corinthians não fosse o favorito, mas ninguém esperava que o placar fosse aberto com tamanha velocidade.

Incauto n.1, que assistia ao jogo comigo, se pronunciou com grande eloqüência, exclamando “O São Paulo vai levar um fumo!”.
Incauto n.2 acrescentou “Já virou merda!”.
Incauto n.3 (ou seja, EU) completou. “Agora, já era!”.
Éramos incautos, mas não sabíamos.

Como poderíamos, mesmo com tanta paixão pelo tricolor do Morumbi, imaginar que o São Paulo dominaria o primeiro tempo?
Não dava para saber que o São Paulo mostraria a garra e o empenho que havia demonstrado na libertadores e há muito não era visto e criaria as melhores chances de gol.
Muito menos prevíamos que, aos 28 minutos, Amoroso receberia pela esquerda, daria um chapéu no primeiro homem, passaria entre dois defensores, penetraria na área, driblaria um zagueiro e chutasse rasteiro, enganando Marcelo e fazendo, sem duvida, o gol mais bonito da rodada.

E o Corinthians? O time acabou se defendendo muito e explorando os erros do São Paulo (que não foram poucos). Parecia que o São Paulo estava sempre mais perto, mas o passe sempre saia curto, torto, mascado e sempre armando o contra-ataque corinthiano.

Dado o histórico dos últimos jogos, a pergunta na mente do torcedor são-paulino era exclusivamente sobre o elenco que retornaria dos vestiários. Mudanças esdrúxulas parecem ter virado rotina no Morumbi.
Não foi assim. O técnico mostrou confiança no time e deixou-o intacto e jogou como tal. Parecia ser uma questão de tempo até o São Paulo passar a frente. O Corinthians parecia gostar do resultado, mas ainda levava perigo. Mas não havia objetividade. O Corinthians não chegava ao gol e o São Paulo, quando chegava, não conseguia concluir. Souza perdeu dois gols incríveis.
Quando o gol saiu, dos pés do próprio Souza, o Morumbi só não veio abaixo porque a grande maioria dos torcedores presentes era do time rival. Mas os são-paulinos pareciam não se incomodar e fizeram a festa.
O jogo seguiu tenso. Souza saiu aplaudido para a entrada de Richarlyson.
O segundo gol Corinthiano, o do empate, saiu aos 40 minutos com um chute de Rosinei. E foi o maior exemplo de porque o São Paulo não deve jogar com só dois zagueiros. Rosinei entrou livre pelo lado direito da defesa depois de um belo toque de Roger e fuzilou Rogério.
Parecia que o jogo estava definido. Só não avisaram os jogadores do São Paulo. Em bela arrancada pela direita, o são-paulino foi derrubado na área e o juiz marcou o pênalti. E antes que me perguntem, eu direi: Foi pênalti sim! O juiz estava a cinco metros da jogada e dois defensores corintianos empurraram o jogador do São Paulo. Preveniram a finalização com excesso de contato, o que é falta, ponto final.
O capitão e goleiro são-paulino Rogério se aproximou da área e começou a conversar com Amoroso. Era dele a cobrança e a oportunidade de virar o clássico. Abdicou da honra em favor de Amoroso. Rogério não passa por boa fase em cobranças de bola parada, mas eu gostaria de pensar nisso como um ato cavalheiresco.
Amoroso cobrou com perfeição aos 43 minutos do segundo tempo e definiu o resultado. São Paulo 3, Corinthians 2. E, logo após, saiu substituído pelo volante Ale, mas consagrado como herói do jogo.

Assim, o São Paulo manteve o recorde de oito jogos sem perder para o Corinthians. Se algum dos técnicos cairá, acho que será no futuro. Ambos mostraram competência para ficar.

Após o primeiro tempo, o zagueiro corintiano Sebá saiu de campo reclamando que foi xingado pelo árbitro e depois do jogo confirmou com a imprensa, mas disse que não tomará uma atitude imediata nem revelou o que foi dito. Quem se incumbiu foi o meia Roger, que acabou fazendo feio e deixando o companheiro em posição ridícula ao dizer que “o Sebá chegou no vestiário quase chorando, dizendo que o juiz tinha chamado ele (sic) de ‘gringo de merda’”. Se for verdade, o juiz deve ser punido, Roger deveria ser disciplinado para aprender a não falar dos assuntos dos outros e o Sebá tem que crescer. Se for chorar por causa disso, não leia o próximo parágrafo.
Porque o Senhor Sebá foi, quase sem sombra de duvida, o pior em campo. Posicionou-se mal, foi lento, tocou mal e quase fez contra numa recuada equivocadíssima. Acorda, Sebá. Tu és ruim e pronto. Num linguajar mais chulo, você É um merda. Se a verdade dói, vai treinar que melhora.

-Rogério Ceni:
Não teve culpa nos dois gols que tomou. Saiu melhor do gol do que vinha fazendo e fez algumas boas defesas que garantiram o resultado. Bateu uma boa falta, mas não enganou o goleiro e depois cedeu a cobrança do pênalti a Amoroso. Bom jogo para o capitão tricolor. 6,0
-Fabão:
Fez algumas lambanças na defesa, quase complicando a vida do São Paulo em saídas erradas, toques tortos e escanteios cedidos infantilmente. Poderia ter sido melhor, mas não foi horrível. 4,5
-Renan:
Grudou em Carlito Tevez como um carrapato. Brigou atrás, saiu para armar como volante e só foi pego pelas costas na jogada do primeiro gol. Boa apresentação para um volante improvisado na zaga. 5,5
-Edcarlos:
Uma palavra: RIDICULO! Não tem espaço no time. Leva dribles infantis, parece não ter reação, não fecha ângulos nem se antecipa nos passes. Sobe com uma irresponsabilidade incrível. 3,0
-Hernanes:
Mostrou porque jogadores canhotos não devem jogar na lateral direita. Marcou bem, mas não conseguiu criar nada. Seus passes foram imprecisos, mas sua ajuda na defesa compensou. 5,0
-Mineiro:
Continua numa série de boas partidas e não parece querer quebrá-la no futuro próximo. Marca com afinco, apóia a defesa quando os alas sobem ao ataque, apóia o ataque quando necessário e chega com perigo com chutes fortíssimos. Ele é o coelho raiovac do time. Ele continua e não para e não para e não para. 6,5
-Souza:
Se ele jogou meio apagado no primeiro tempo, libertou-se no segundo. Subiu e desceu, driblou, tentou cabecear, chutou, se jogou, tentou e tentou. Até marcar. Ótimo em campo. 7,0
-Danilo:
Apossou-se do primeiro tempo. Estava envolvido em tudo e mostrou muita raça em ambos os lados do campo. Sumiu no segundo tempo, mas foi avistado de vez em quando e não estava fazendo feio. Boa partida. 6,5
-Júnior:
Também fez bela partida, mas jogou menos do que vínhamos vendo. Talvez porque não foi a única referencia do time. 6,0
-Amoroso:
Incansável e criativo, foi o herói. Seu primeiro gol entrou imediatamente para a lista de clipes que serão mostrados como grandes momentos de sua carreira. Assumiu a responsabilidade de fazer o tricolor produzir no ataque e foi espetacular. Recebeu um cartão amarelo logo no começo por reclamação. E essa foi a única macula na sua ficha hoje. 8,5
-Christian:
Se for visto, favor contatar sua família, que sente muita a sua falta e espera que ele se encontre com saúde. Brincadeiras a parte, para um jogador que veio ser uma referencia dentro da área, tem procurado a bola com a freqüência que Cascão procura o chuveiro. Parece sempre esperar que ela caia aos seus pés ou ache sua cabeça. Fez duas finalizações perigosas hoje, mas tem que mostrar que tem fome de permanecer titular no São Paulo. 4,0
-Diego Tardelli:
Já aviso: ainda não acho que deva ser titular. Mas que ele entrou batendo um bolão, isso ele entrou. Driblou, passou, definiu e segurou a bola com uma destreza que parecia ter sido esquecida no campeonato paulista. Só não marcou. 6,0
-Richarlyson:
Jogou pouco. Sem nota.
-Alê:
Jogou menos. Sem nota.
-Paulo Autuori:
Parece ter entendido uma máxima antiga do futebol, finalmente: Não se meche em time que está ganhando. Fez alterações para solidificar o time, não para mudar por mudar. Compôs um elenco eficiente apesar de desfalques de grande calão. Redimiu-se, com grande ajuda do elenco que cativou, e da torcida, que deu crédito. 6,0

Na entrevista coletiva o jogador Souza dedicou a vitória a Autuori, dando voz a um suporte do time que, apesar de não expresso até o momento, se tornou quase palpável. O time acredita que ele será o técnico que os levará a mais uma vitória no mundial e, talvez, seja isso que salve o São Paulo no campeonato brasileiro.
Já o técnico passou o crédito para a torcida e tenho que dizer que concordo. Ele não inventou, o time jogou feijão-com-arroz e a torcida apoiou. Alias, nunca deixou de apoiar e mesmo em jogos que o São Paulo foi mau ou sem um grande público, não desferiu ofensas ao técnico ou aos titulares e mostrou uma paciência de Jô. Mas que o técnico fique atento. A vitória de hoje só estendeu sua linha de crédito com a torcida. Em dezembro, é hora da cobrança. Cobrança essa que pode ser antecipada caso o São Paulo volte a tropeçar repetidamente e cair na tabela do Brasileirão.

Dando uma pequena atualizada na situação de alguns jogadores que não jogaram hoje, Cicinho, Lugano e Josué retornam para o próximo jogo com o Curitiba, em Curitiba, depois de servir a suas suspensões. O único que não retorna é o zagueiro Alex, que foi julgado hoje pelo STJD pelo cartão recebido no jogo contra o Atlético Paranaense. Na época eu já havia dito e repito hoje: o lance em questão não foi nem para cartão. Foi uma dividida dura, mas legal, igual a diversas que eu já vi. Houve um lance quase igual no jogo de hoje que não recebeu nem advertência do arbitro. Ou seja, na minha opinião, o STJD errou e errou feio. So fuck’em.
Pelo Corinthians, o jogador Masquerano continua parado com uma contusão por mais três semanas.

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Autuori Erra e São Paulo sai da Sul-Americana

Depois que cheguei em casa ontem, encharcado, cansado e furioso, a primeira coisa que fiz foi a única coisa que eu não deveria ter feito. Eu poderia ter tirado minhas roupas ensopadas e me secado, poderia ter tomado um bom banho quente, poderia ter posto o leite pra esquentar para um bom chocolate quente. Poderia até ter tomado uma doze de licor de cacau. Mas não foi o que fiz.
Eu liguei a tv. E mudei de canal com uma rapidez e destreza que surpreenderia algumas pessoas. ESPN. Sports Center. Justamente quando começa a matéria sobre o jogo entre São Paulo e Internacional, que havia terminado há poucas horas, pela Copa Sul-Americana.
Foi um jogo que teve por arauto a posição apática da maioria dos tricolores quanto à competição e uma derrota na casa dos adversários em Porto Alegre por dois a um. Seqüelas de um longo namoro com a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
O São Paulo jogou melhor no primeiro tempo e nenhum jogador parecia realmente se destacar. Mas não pelos motivos mais freqüentes. Simplesmente, todos estavam jogando bem. Onde um errava o outro cobria. Havia um toque de bola provocante. Não era envolvente, pois sempre parecia falhar na finalização, na bola esticada para quem passava. Mas era inegável: o São Paulo acuou o Internacional.
Uma garoa fina começou a cair no Morumbi dentro dos minutos iniciais do jogo. Quando Souza marcou, faltando dois minutos e meio, a torcida e o campo já estavam cobertas de água e os pingos eram grossos e a chuva caía como um cobertor sobre o estádio.
Quando a bola foi novamente posta em jogo, os holofotes ficaram escuros: falta de energia.
O Juiz resolveu antecipar o intervalo e, quando os times voltaram a campo, jogaram o minuto final de jogo e depois trocaram de lado.
O time do São Paulo que retornou para o segundo tempo parecia ter perdido algo. Como se a falta de luz tivesse também desligado a criatividade do time, e esta ninguém religou.
O time foi envolvido pelo passe adversário e acabou cedendo o empate ainda no começo, quando Souza cometeu um pênalti.
Eu sei porque eu estava lá. Eu fiquei encharcado e acordei com febre andando do estádio até o carro. Eu não precisava assistir o Sports Center para saber que o desempenho foi o seguinte:

- Rogério Ceni:
Jogou bem, mas não brilhou. Não foi muito exigido pelo time do Internacional que, mesmo quando dominava o jogo, não levou grande perigo ao gol. Não cobrou nenhuma falta porque o juiz se recusou a marcar faltas para o São Paulo, mesmo havendo algumas entradas escandalosas, perto da área. 5,5

- Souza:
Jogou improvisado na lateral direita. Foi bem no primeiro tempo, criando no meio. No rebote, marcou o único gol do São Paulo ainda no primeiro tempo. Não foi exigido nas marcações, pois estava sendo bem auxiliado por Mineiro. Mas quando foi exigido, fez o pênalti e foi substituído. 4,5

- Fabão:
Não comprometeu como havia fazendo. Tocou mal, errou algumas de cabeça, mas ficou atrás e deu bom combate aos atacantes do Inter. 5,0

- Lugano:
Como sempre, esplendido. Raça, coragem, inteligência são características que muitos procuram em seus zagueiros. Lugano tem tudo isso e mais uma paixão pela camisa, pelo time, que são impagáveis. Fechou atrás, foi à frente com perigo em bolas aéreas. Levou um cartão amarelo, erradamente, por reclamação e depois, em falta dura na qual mereceria o cartão, foi poupado. Pelo menos isso o juiz fez. 6,5

- Júnior:
Correu e armou bastante o jogo inteiro, mas só foi objetivo no primeiro tempo. No segundo, foi movido para o meio e se perdeu. 5,0

- Mineiro:
Marcou bem no meio e na lateral direita, onde teve que apoiar Souza para liberá-lo. Chegou a ir à frente e arriscar finalizações. Pecou com passes errados. 6,0

- Josué:
Também marcou bem, mas parecia ter dificuldades em dominar a bola quando o campo ficou molhado. Tocou mal e não arriscou de fora da área como costuma. 5,5

- Renan:
Entrou para dar o reforço defensivo que é a fraqueza do esquema 4-4-2. Marcou bem e defendeu bem atrás, quase como um terceiro zagueiro. 5,5

- Leandro Bomfim:
O melhor do São Paulo em campo. Criou, correu e marcou com afinco e mostrou que pode se tornar um grande ídolo no Morumbi. Foi substituído ainda no primeiro tempo, mas depois que as luzes retornaram, inexplicavelmente. 6.5

- Amoroso:
Posicionou-se bem e finalizou com perigo, mas parecia incapaz de acertar um passe. Criou a jogada do gol. 6,0

- Christian:
Conseguiu ficar sumido o jogo inteiro. Até apareceu livre na área varias vezes, mas não recebeu a bola. Saiu no segundo tempo. 5,0

- Richarlyson:
Muito mau. Entrou improvisado na esquerda substituindo Leandro Bomfim, mas quem ocupou o meio foi Júnior. Marcou pouco, criou menos e abertamente comprometeu as chances do São Paulo ganhar, com passes bobos, cruzamentos fracos e baixos e chutes sem perigo para o goleiro. Péssimo. 3,5

- Hernanes:
Substituiu Souza após o pênalti. Conseguiu fazer uma apresentação discreta. Discreta até demais. Não apareceu nem pra fazer algo errado. 4,0

- Diego Tardelli:
Substituiu Christian. Movimentou-se um pouco mais que Christian. Passou a bola um pouco melhor que Christian. Mas deu no mesmo, pois entrou e não desequilibrou. 5,0

- Paulo Autuori:
Conseguiu acertar o 4-4-2 por 45 minutos. Depois, enlouqueceu e errou nas três substituições. Tirou Leandro, que era o melhor em campo. Improvisou Richarlyson, Souza, Júnior e Hernanes. Fez tudo errado e cedeu o empate a um time muito mais fraco que o São Paulo.

Então, eu não precisava ligar tv e ouvir que comentaristas já estão achando que o São Paulo é um time que só sabe reclamar do juiz. Que o time está mal fisicamente. Que a desculpa da chuva e do campo pesado são validas.
Ouvir isso da boca de Paulo Autuori.
A verdade é que o jogo foi fácil. Dava para ganhar. Motivar o time antes de um grande clássico onde o time joga desfalcado de duas de suas maiores estrelas, o lateral Cicinho e o zagueiro Lugano.
Em vez disso, Autuori arriscou, inventou e se ferrou. Se cair contra o Corinthians, não me surpreenderá.

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

História de Dois Tricolores

O São Paulo jogou quarta-feira mais uma vez pelo Campeonato Brasileiro e mais uma vez o campeão paulista encontrou o campeão carioca este ano. O Fluminense entrou em campo no Morumbi sabendo que o São Paulo precisava da vitória e que o time paulista seria muito cobrado pela torcida.
O São Paulo não tem conseguido se afastar da zona de rebaixamento, enquanto o Fluminense pode ainda brigar pelo título.
Logo no começo do jogo uma coisa ficou bem clara: o São Paulo que entrou em campo não é o mesmo que jogou a Libertadores. Num campeonato que já ficou marcado para o São Paulo como um dos piores da história no quesito colocação também está se tornando um pesadelo de cartões de todas as cores, e contusões e negociações fora de hora.
Então qual não foi à surpresa da nação são-paulina em descobrir que o time, sem quatro titulares ( Fabão –machucado no tornozelo, Josué – Estiramento na coxa, Alex – cumpriu suspensão pelo cartão vermelho recebido contra o Atlético Paranaense, e Cicinho... que já é uma história diferente) e num esquema no qual o time repetidamente não teve boas apresentações, poderia jogar um bom futebol?
O fato foi que o Fluminense não jogou melhor que o São Paulo. Tocou melhor e esteve em pé de igualdade com o tricolor do Morumbi em alguns momentos, mas o São Paulo foi empurrado pela torcida e não pareceu desentrosado ou cansado como o torcedor já se cansou de ver neste segundo semestre.
E o que faltou a um time o outro tinha. Se o São Paulo não mostrou boa conectividade no meio como o Fluminense, mostrou a objetividade que o outro time precisava desesperadamente.
Os zagueiros do time carioca pareciam muito grandes, pesados e lentos e o ataque do São Paulo criou boas oportunidades no primeiro tempo. Principalmente com as bolas altas em cruzamentos e escanteios e com Amoroso que quase marcou um golaço de bicicleta. Mas a chance mais clara de gol foi num chute de Leandro, do Fluminense, que recebeu livre na cara do gol, mas jogou por cima da trave, quando Rogério já estava batido.
Os times voltaram para o segundo tempo iguais, mas não demorou a Paulo Autuori mexer no time e Souza entrou no lugar de Leandro Bomfim para dar mais agilidade no meio campo.
O São Paulo parecia ter voltado melhor dos vestiários, mas foi o Fluminense quem marcou primeiro. Tuta recebeu em posição de impedimento para marcar de cabeça na falha de Rogério Ceni.
O São Paulo continuou apertando e chegou ao empate com Amoroso, que marcou um belo gol e definiu a partida. São Paulo 1, Fluminense também 1.

Rogério Ceni:
- Atuou mal. Foi pouco exigido, mas se limitou a ficar em baixo da trave, mesmo quando a bola era cruzada na pequena área. Errou ao não ter saído na bola no gol de Tuta e errou duplamente se jogando ao chão. Parece ter perdido o ritmo nas cobranças de falta. Ou bate muito baixo, acertando a barreira, ou bate alto e devagar. 4.5.

Ale:
- Improvisado na lateral direita no lugar de Cicinho. Marcou relativamente bem e não deu muito espaço nas suas costas, mas o cruzamento que levou ao gol de Tuta partiu do lado em que deveria estar. Onde ele estava, ninguém sabe. Não conseguiu achar seu espaço no meio e foi tímido no ataque. Mostrou aquilo que todos já sabiam: não tem grandes intimidades com a pelota. Regular. 5.0

Edcarlos:
- Ridículo, como sempre, foi o único que parecia não ter sido avisado que os zagueiros não devem subir ao ataque num esquema 4-4-2. Perdido, mas não comprometeu como em outros jogos. 5,0

Lugano:
- Fechou o meio, foi com raça e evitou faltas. Fez o que sempre faz, e faz muito bem. Chegou a finalizar com perigo tanto com a cabeça quanto com os pés. Dá gosto de ver jogar. 6,5.

Junior:
- No primeiro tempo marcou bem no meio, mas deixou espaço nas costas. No segundo tempo não só conseguiu consertar seu posicionamento como se tornou a opção criativa que todos sabem que ele é. Mas não desequilibrou e recebeu o único cartão amarelo do jogo. 5,5

Mineiro:
- Não jogou tanto quanto vinha jogando e não precisou. Marcou bem, mas não com o mesmo afinco de outras partidas e deu mais espaço para o Fluminense tocar no meio. Ainda assim teve um desempenho sólido e regular. Chegou a finalizar com bons chutes. 6,5

Richarlison:
- Dividiu com Mineiro a responsabilidade de marcar no meio e não se deu muito bem. Mostrou que esta não é sua característica mais uma vez. Mas deu uma certa velocidade ao meio no ataque. Tentou mostrar serviço. Errou muitos passes e não arriscou. 5,0.

Leandro Bomfim:
- Entrou muito bem no time do São Paulo e deve se tornar ídolo da torcida muito em breve. Criou bem no meio de campo, marcou, distribuiu e coordenou jogadas com Danilo. Foi substituído muito cedo. 6,5.

Danilo:
- O segundo melhor em campo do São Paulo. Foi raçudo na marcação, finalizou sem medo de errar, armou, cruzou, e até driblou no seu estilo “câmera lenta”. Antes de ser substituído, todas as boas jogadas do São Paulo pareciam passar por seus pés. Jogou muito bem, mas errou algumas finalizações que seriam geralmente fáceis para ele. Mas foi sólido. 7,0.

Amoroso:
- Aos poucos está se tornando o faz tudo no São Paulo. Marcou o gol numa jogada fantástica, deu um drible incrível (cinco embaixadas seguidas de um chapéu. O drible da foca é para amadores!), quase marcou num chute bicicleta, armou no meio e foi essencial dando o primeiro combate. 7,5

Christian:
- Foi com perigo à frente. Chegou a marcar no final, mas um impedimento foi assinalado, invalidando o gol. Foi bem nas finalizações aéreas e reclamou que não recebeu mais bolas altas e cruzamentos. Quando Cicinho voltar e o esquema tático original, o 3-5-2, retornar, vai se tornar o goleador que o São Paulo precisa. 6,0.

Souza:
- Ajudou na criação depois que entrou na segunda etapa. Driblou bem e criou algumas chances. Só achei que foi um equivoco ter entrado no lugar de Leandro Bomfim. Não desequilibrou, mas jogou muito bem. Parecia ser o único são-paulino a testar o juiz, o que, nesse jogo, foi desnecessário e prejudicial ao seu desempenho. Acabou levando um pênalti que não foi marcado graças, em parte, a sua constante reclamação. 6,0

Vélber:
- Agora eu tenho quebrar o leve semblante profissional da minha matéria e dizer o que eu realmente penso. O que CATZO que o Vélber foi fazer nesse jogo? Entrou no lugar de Danilo e conseguiu matar o time em campo. Não apareceu para receber a bola, não criou, não marcou, não fez porra nenhuma. A única jogada em que apareceu bem foi quando recebeu falta na lateral direita, próximo a área. Ridículo, mal em campo... Enfim, o Velber que nós conhecemos. 3,0

Paulo Autuori:
- Apostou mais uma vez no 4-4-2 e dessa vez não se deu tão mau. Mas quase conseguiu matar o bom desempenho do time com substituições ruins e equivocadas. Vamos deixar algo bem claro: Edcarlos, Ale e Vélber não podem mais entrar em campo. Eles são jogadores muito aquém do que o São Paulo precisa neste momento. São desajeitados com a bola e mal posicionados sem ela. Equivocou-se ao tirar Leandro Bomfim e deixar Richarlison em campo. Mereceu a vaia que recebeu ao tirar Danilo. 4,0.

A situação do lateral Cicinho finalmente se resolveu. O lateral direito-reserva da seleção Brasileira foi negociado com o Real Madrid (ESP) e deixará o clube em Janeiro, depois da decisão do mundial. O que, na minha opinião, é o melhor que poderia ter acontecido. Não só pelo fato do jogador ter conseguido destaque suficiente para ser contratado pelo melhor time da atualidade, mas porque isso resolve muitos problemas para o jogador e para o time. Cicinho sem duvida crescerá na Espanha, onde terá grande suporte e melhores condições para se desenvolver naquilo que Parreira quer dele. E, para o São Paulo, sobra uma fatia maior de dinheiro. Especificamente, U$ 8 milhões em vez dos U$ 7,2 milhões que o Manchester United iriam pagar pelo passe e multa do jogador.
Mas, muito melhor que tudo isso, Cicinho pode parar de se preocupar com o futuro, já que agora sabe onde jogará ano que vem, e pode se concentrar em jogar bem e levar o São Paulo ao mundial de clubes e para fora da zona de rebaixamento no Brasileirão.Quero desejar toda a sorte do mundo ao jogador, mas também a de ser dito que está mais do que na hora de acabar a farra e voltar ao elenco com força total. Alias, Cicinho não jogou contra o Fluminense, pois tinha um exame médico pendente, clausula rescisória de seu novo contrato. O exame já foi feito, o contrato, finalizado, e Cicinho retorna ao elenco para o jogo contra o Paraná.